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Dados do Trabalho


Título

NEFROMA CISTICO MULTILOCULAR: RELATO DE CASO

Introdução, Material, Método, Resultados, Discussão e Conclusões

Apresentação do Caso:
Paciente feminino, 63 anos de idade, assintomática, em acompanhamento urológico por detrusor hipoativo, há 8 anos apresentou cisto cortical em polo superior do rim direito com 4,8 x 5,2 cm com septações (Bosniak IIS) em tomografia. Foi realizado ressonância (RNM) concluindo presença de cisto cortical parcialmente exofítico com 5,2 x 4,8 cm com várias septações finas, algumas calcificadas (Bosniak IIF). Foi feito acompanhamento com RNM, sem progressão do quadro até 2019, quando passou a ser Bosniak III — cisto complexo com múltiplas septações, algumas levemente espessas e com realce pelo contraste e com componente parcial hemático. Foi realizado nefrectomia parcial à direita e enviado o material para o estudo anátomo-patológico, confirmando o diagnóstico de nefroma cístico multilocular (NCM) com margens cirúrgicas livres.

Discussão:
Embora o NCM não seja uma lesão precursora para malignidade, deve ser considerado diagnósticos diferenciais com tumores malignos. Há casos relatados de co-existência de carcinoma cístico renal e NCM. Os sintomas são inespecíficos, como dor abdominal, hematúria e infecção do trato urinário, esta última mais comum no adulto. O tumor é composto por cistos e septos, raramente são descritas calcificações. O diagnóstico definitivo é feito através do estudo anátomo-patológico, já que, radiologicamente e clinicamente, é desafiador distinguir a lesão benigna e maligna. Em 1951, Powell et al. estabeleceu 8 critérios diagnósticos para NCM, sendo eles, acometimento unilateral, lesão solitária, lesão multilocular, ausência de comunicação entre os cistos, lóculos alinhados por epitélio, septos intraloculares sem parênquima renal, ausência de comunicação com a pelve renal, e tecido normal residual, se presente. Esses critérios foram parcialmente revisados por Joshi and Beckwith em 1989.

Comentários finais:
O NCM é um tumor renal benigno raro de etiologia não esclarecida. Tende a acometer crianças e adultos, porém são histogeneticamente e morfologicamente distintos. Tanto a clínica do paciente, quanto os exames de imagem não diferem se a lesão é maligna ou benigna, sendo confirmado apenas histologicamente. A biópsia não é considerada um bom método diagnóstico, devido ao risco de não englobar células tumorais no material aspirado. No caso reportado foi optado por nefrectomia parcial devido ao tamanho e posicionamento do tumor.

Palavras Chave

Cisto multilocular, diagnóstico

Área

Tumores Raros

Instituições

Clínica São Domingos - Minas Gerais - Brasil

Autores

Marcio Gonçalves Souza, Daniela Gonçalves Souza, José Carlos Corrêa